Estação da Arte é invadida por poesia

O mental é uma ilusão do ego. (…) A poesia pra mim é autoexpressão. Foi ela que me deu cidadania e identidade. (…) Eu sonho que um dia as meninas não serão criminalizadas por desejarem ser poetisas.”
Dona de frases fortes e voz aconchegante, a poetisa, escritora, diretora de documentários e imortal da Academia Mato-grossense de Letras, Luciene de Carvalho, foi a convidada dessa quarta-feira (24 de janeiro) do programa Estação da Arte.
A convidada encantou a todos com cada palavra dita, enquanto discorria sobre a trajetória e o despertar da poesia. Luciene contou que a arte sempre esteve em sua vida e que não tem memória de algum tempo em que a poesia não estivesse presente. Tudo começou com a mãe e a tia, suas grandes referências e as responsáveis por despertarem o interesse em poemas. “Não tinha luz no Pantanal onde eu nasci. Então a poesia era uma possibilidade de entretenimento. E da leitora ávida nasce a escritora.”
Durante a entrevista a escritora confidenciou que após ser ‘invalidada’ para outras coisas, a sensação de fracasso foi o que permitiu dar a oportunidade para a poesia de forma efetiva, de forma profissional. “Todas as vezes que eu ouvia: ‘Mato Grosso? Você vai conseguir viver de poesia? Ninguém vive’. Lá dentro de mim, algo me dizia, se ninguém vive, será que isso não é um espaço? Eu sou alguém que tem o ofício poético. Na mesma forma que o sapateiro faz sapatos e o alfaiate faz ternos ou roupas, eu faço versos.”
Sobre a sua última obra, intitulada Dona, que será lançada em breve, a escritora dialoga em poesia sobre a invisibilidade das mulheres de 50 anos, que passam a ser vistas como mãe, senhora e deixam de ser observadas como mulher. “A mulher é punida quando não está dentro do padrão. É um processo. Como é a vida e a não vida sexual da mulher de 50? Como é a relação dessa mulher com o espelho? O descobrimento do revelar, a dificuldade e a dor, porque a mulher se envergonha disso. E aí ela tem duas saídas, ou ela lidar com ela, se aceitar, ou então ela se cortar inteira, se puxar inteira.”
Em 2015 Luciene de Castro foi nomeada membro da Academia Mato-grossense de Letras e falou sobre a sensação de ser a primeira mulher negra a assumir a cadeira no Estado. “Eu não sabia que era a primeira negra, porque eu não estava lá dentro. A questão não é ser a primeira negra, porque eu vou sentar na cadeira. É mais. A partir do meu estar lá dentro, tantas outras negras, não só negras, as filhas de viúvas, de pobres, são representadas. É toda uma trajetória que não tem polida, que não é chique, que não tem pedigree, mas que foi gente que fez de verdade a história dessa baixada cuiabana.”
O bate-papo também abordou assuntos como o processo sinestésico presente em seus shows poéticos, em que a poetisa desperta os sentidos da plateia, com cheiros, cores, trilhas, efeitos e figurinos apresentando aos espectadores uma poesia viva.
A poetisa ficou muito surpresa com o espaço destinado à arte pelo Poder Judiciário. “Apesar de eu compreender que a justiça, se não for centralizada no humano, não tem sentido, ela é a derivação do humano. E acho que vocês perceberam muito bem, a justiça é inerente à condição humana. Essa é a revolução que eu estou percebendo aqui. A importância de vocês é fazer a ponte e vocês têm uma mídia estruturada e pensada. Eu estou muito feliz de estar aqui”, finalizou.
O programa faz parte da rádio web do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e é transmitido todas as quartas-feiras, a partir das 11h, no site da Estação TJ e no Facebook do TJMT.

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