PROPRIEDADE EM MATO GROSSO PRODUZ QUATRO TONELADAS DE LIMÃO POR MÊS

Há 25 anos, o produtor rural Francisco Omori, 69 anos, e sua esposa, Tereza da Silva Omori, 62, cultivam limão tahiti na chácara Santa Terezinha, na Comunidade Morrinho, localizada no município de Santo Antônio do Leverger (34 km ao Sul de Cuiabá). Com o plantio irrigado numa área de quatro hectares e 750 pés de limão, a produção chega a quatro toneladas do fruto por mês e pode produzir o ano todo.

O produtor Francisco aprendeu a trabalhar com a cultura na prática e hoje pode ser considerado um grande aprendiz no cultivo do limão Tahiti. Ele explica que antes de investir na citricultura, tentou cultivar hortaliças, o cultivo deu certo por um tempo e depois devido à escassez da mão-de-obra, a família optou para a monocultura e está até hoje. “O cultivo do limão não azedou a nossa vida, pelo contrário, adoçou, criamos nossos quatro filhos e tivemos lucro com a venda do produto. Acredito que sou um vitorioso nesta atividade”, esclarece.

A rotina da família mudou nos últimos dois anos, quando o produtor Francisco teve problemas de saúde e foi obrigado a deixar o trabalho no pomar. O seu filho Márcio da Silva Omori, que morava há 20 anos no Japão, retornou para a casa de seus pais para dar continuidade no trabalho de quase três décadas. Márcio é o responsável pela coleta dos frutos que é realizada duas vezes por semana. De acordo com o produtor, um fator importante para o cultivo do limão é a adubação correta e a irrigação. Na propriedade o pomar é irrigado a cada 15 dias.

Toda produção é comercializada na Feira do Porto, supermercados e no Distrito Industrial para os atacadistas por um preço que varia de R$ 35 a R$ 50 o saco de 20 quilos. Mesmo distante do pomar, o produtor Francisco é quem fala sobre o preço que pode chegar no varejo a R$ 6 o quilo do limão. A época da safra começa em fevereiro e termina em junho, e leva até três meses para floração do fruto. “Colhemos o limão, separamos o fruto por tamanho e embalamos para entrega”, explica.

A produtora Tereza, também responsável pelo plantio do limão tahiti, conhece bem a atividade e tem uma teoria que ajuda muito a manter a produção dos pés de limão: conversar com as plantas e verificar o comportamento delas, examinando se possui alguma praga e doença. Ela destaca que as plantas precisam ser renovadas a cada oito anos. Em janeiro de 2017, foi realizado o plantio de 125 novas mudas em uma área de um hectare.

Para utilizar inovações e melhorias no pomar os produtores financiaram recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) totalizando R$ 58 mil. “A maioria das pessoas que adquirem uma terra, esperam a propriedade valorizar para vender. No nosso caso, a terra e o cultivo trouxeram a nossa independência, conseguimos sobreviver e nos manter na propriedade, isso é muito importante”, conclui Francisco.

Pró-Limão

O engenheiro agrônomo da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Henrique Teodoro de Melo, fala que foram realizadas oficinas para produção de citros (laranja, pocan e limão), na comunidade Sangradouro, no município de Santo Antônio do Leverger .

Foram repassadas informações sobre sistemas de produção, ou seja, a escolha da semente, preparação do plantio com o substrato composto de esterco de gado, vermiculita, terra preta e adubo, retirada das mudas dos tubetes com período de 120 dias, transplante na terra e enxertia. Segundo Henrique, após a realização da enxertia da planta, é importante acompanhar o desenvolvimento da muda, realizando a poda de formação da copa e os cuidados fitossanitários (controle de pragas e doenças).

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários de Mato Grosso (Seaf) por meio do programa Pró-Limão tem realizado a capacitação continuada de técnicos na Região Norte do Estado. O objetivo é dar sustentabilidade ao cultivo da citricultura, que visa fomentar e fortalecer a cadeia produtiva do limão como alternativa sustentável de geração de renda.

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