‘Mãos debaixo das saias’: Como uma jornalista infiltrada denunciou assédio sexual em jantar só para homens ricos em Londres

Jornalista do 'Financial Times' se infiltrou em tradicional jantar de gala beneficente só para homens e denunciou assédio sexual de mulheres contratadas como hostess.

Quando foram contratadas para serem hostess (recepcionistas de festas) num prestigioso evento de caridade britânica, as jovens não imaginavam que estariam no centro de um escândalo sexual, que tirou do cargo um funcionário do Departamento de Educação do governo e foi comentado até pela primeira-ministra Theresa May.

Tudo começou a partir da denúncia da repórter do jornal Financial Times Madison Marriage, que revelou que as hostesses do jantar eram constantemente bolinadas pelos convidados – que incluem políticos, celebridades e empresários.

“Eram mãos debaixo das saias, mãos no bumbum, mãos nos quadris, na barriga, homens agarrando sua cintura inesperadamente”, disse Marriage em entrevista à BBC.

 

Ela participou do jantar de gala beneficente President’s Club Charity Dinner infiltrada como uma das hostess. O evento anual, realizado na quinta-feira passada em um hotel de luxo de Londres, é só para homens.

O objetivo do evento é angariar fundos para causas como o hospital infantil Great Ormond Street, na capital britânica.

Devolução de doações

Após a denúncia, o fundo de caridade President’s Club, que realiza o evento, anunciou que deixará de operar e que o dinheiro restante será redistribuído “de maneira eficiente” para organizações de caridade que atendem crianças.

Em um comunicado, a instituição disse que os organizadores do jantar estavam “horrorizados” com as acusações e que tais comportamentos são “totalmente inaceitáveis”.

“As acusações serão investigadas completa e rapidamente e serão tomadas medidas apropriadas”, afirmou.

Um porta-voz da agência Artista, que recrutou as mulheres, disse que não recebeu nenhuma denúncia de assédio sexual, mas também afirmou que o tipo de comportamento descrito pela jornalista do FT é “completamente inaceitável”.

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