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Ex-Bic Banco faz delação e entrega todo esquema da Ararath

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF) homologou a delação premiada do ex-superintendente do Bic Banco de Mato Grosso, Luis Carlos Cuzziol. O acordo firmado em abril era a peça que faltava para o Ministério Público Federal (MPF)  e a Polícia Federal (PF) entender como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento de campanha descoberto pela Operação Ararath.

A notícia caiu como uma bomba no meio empresarial e político do Estado, já que a colaboração envolve autoridades em funções públicas, empresários, ex-parlamentares e atuais parlamentares.

Os depoimentos realizados por Cuzziol teriam detalhes que faltavam para as autoridades policiais entender como funcionava o esquema de corrupção.

Emails, documentos, mensagens e contas bancárias foram revelados pelo ex-superintendente do Bic Banco.
Além do Bic Banco, outras instituições financeiras e empresas foram inclusas em seu depoimento.

Cuzziol foi alvo da 5ª e 6ª fase da Operação Ararath em 2014, e já possui 3 sentenças condenatórias juntamente com os irmãos e advogados Alex e Kléber Tocantins, o ex-secretário-adjunto de Fazenda Vivaldo Lopes e o ex-secretário de Estado de Fazenda e da Casa Civil, Eder Moares, sendo que este foi condenado em todas os três processos.

Cuzziol confessa em sua delação os crimes financeiros, como a operação ilegal por meio de factorings clandestinas, gestão fraudulenta no Bic Banco, por meio de simulações de empréstimos, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a Administração Pública e ainda crimes tributários.

A delação se encontra em sigilo e foi homologada pelo desembargador federal Cândido Ribeiro. As negociações foram conduzidas pela procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani, uma das responsáveis pelas investigações do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso, relacionadas à Operação Ararath.

Vendido para chineses

O Banco Industrial e Comercial S/A (BICBanco) foi vendido em 2015 para um grupo de chineses e atualmente  se chama oficialmente China Construction Bank. Em anúncios divulgados nos principais jornais do país, na época, a direção do CCB informa a mudança. “BICBanco agora é CCB Brasil” diz o comunicado que traz um breve histórico do banco.

A instituição, apontada como a 2ª maior da China e a 4ª do mundo em valor de mercado, está há 60 anos no mercado, movimentando ativos de US$ 2,7 trilhões, em 14 mil agências, 26 subsidiárias fora da China e empregando 350 mil funcionários.

A venda do BICBanco para os chineses foi formalizada em outubro de 2013, com a negociação de 72% do capital ao preço de R$ 8,9017 por papel preferencial ou ordinário, conforme divulgado na época. Mas a concretização ocorreu somente em 2015 com a assinatura de decreto da presidente Dilma Rousseff, após a operação ser aprovada pelo Banco Central e por autoridades regulatórias chinesas e bancárias das Ilhas Cayman, onde a instituição opera.

Fonte: Gazeta Digital

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