Jornal Página do Estado

Longas filas e desconfiança marcam retomada de visitas na PCE

João Vieira

Saudade, dúvida e desconfiança marcam a retomada das visitas na Penitenciária Central do Estado (PCE), nesta sexta-feira (13), em Cuiabá, um mês após o início da operação de limpeza no local. Familiares se aglomeram desde às 4h da madrugada na fila para revista. Conforme o cronograma divulgado pelo Sistema Penitenciário, presos nas celas dos raios 1 e 3 recebem as visitas nas sextas.

Apesar do clima não ser um dos melhores, famílias estavam animadas em rever filhos, amigos, irmãos. Em virtude da operação de limpeza na PCE, novas regras foram impostas para a visitação.

Tal como a diminuição na quantidade de comida que pode ser entregue aos presos, que passou de 5 kg para 2 kg. Esposa de um dos presos conversou com o Gazeta Digital e explicou que todo dia de visita é caótico, mas, que dessa vez, além do caos, há dúvidas de como serão os novos procedimentos, como por exemplo, a entrega de dinheiro.

“Nessa questão da alimentação, a gente tem que trazer tudo em uma vasilha só. Até dois quilos, então a comida já fica toda misturada, além de ser revistada. Outra dúvida nossa, é quanto a entrega do dinheiro, será que vai chegar na mão deles?”, questiona.

Segundo a mulher, que preferiu não se identificar, quando chegou para assinar a lista de visitas, já entregou o dinheiro para um agente.

No entanto, não recebeu nenhum comprovante ou recibo. “Ele não coloca em lacre separado, nem me deu nenhum comprovante. Só assinei e ele colocou em um monte de dinheiro. Só vou saber se ele recebeu, de fato, na próxima visita”.

Limpeza

Famílias concordaram com a limpeza que vem sendo feita. “Eu acho ótimo, isso é muito positivo. Deixar o local arejado, limpo. É importante lembrar que, apesar de serem pessoas que estão pagando judicialmente pelos crimes cometidos, ainda são seres humanos”, destacou uma mulher que foi visitar o marido. Segundo ela, a decisão de tirar ventiladores da cela não foi uma das mais inteligentes.

“Vi imagens que os ventiladores estão no corredor. Aí você pensa comigo, há alguns centímetros de corredor, aí vem uma porta de grade e é por aí que o vento vai passar até chegar na cela. Será mesmo que vai atingir todos os presos? Ou vão ter que ficar com a cara na grade?”, disse.

Para as famílias, essa condição não deve sustentar o calor que eles passam no local, especialmente em celas que estão superlotadas. Reclamaram ainda das condições dos banheiros e do fraldário na área de espera.

“Não há condições de serem usados. Estão sujos, não tem papel. Então, não adianta promover limpeza lá dentro e esquecer aqui de fora”, finalizou.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a direção da PCE, mas não obteve retorno sobre as reclamações das famílias.

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Fonte: Gazeta Digital
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