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Única senadora de Mato Grosso afirma que ‘mulher não gosta de política’

Reprodução/Facebook

A senadora Selma Arruda (PSL), conhecida nacionalmente como “Moro de saia”, revelou que a crise entre ela e o PSL, teve o seu ápice quando o senador e filho do presidente da República, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), gritou ao telefone com a juíza aposentada.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Selma se declarou contra “cotas para preto”, contra a cota feminina nas eleições, “porque mulher não gosta de política” e contra a tipificação do crime de feminicído. “Por que tem ter um crime específico de feminicídio? É um homicídio como qualquer outro”.

Sobre o conflito no PSL, a senadora disse Flávio Bolsonaro a pressinou para retirar a assinatura do requerimento para a criação da CPI da Lava Toga. A revelação consta na entrevista divulgada nesta sexta-feira (13).

Confira a entrevista na Folha, e veja os principais trechos abaixo

A sra. diz que a pressão vem de todo lado, mas na nota colocou que há divergências internas. Internamente, de onde está vindo esta pressão?

Divergência política não é necessariamente a pressão. Vejo no PSL um partido que ainda não se estruturou como um partido. Ele não acolhe, ainda é um partido muito novo, de muita gente sem história política. Não sabe o que é se comportar num partido. Nunca tive uma pessoa do partido para me defender publicamente. Você já viu alguma declaração do presidente do partido dizendo ‘a senadora Selma tem todo o nosso apoio’? Não. Eles estão, evidentemente, me ajudando, inclusive pagando meu advogado. Mas não é uma coisa que você sinta a acolhida, você sente solta.

O senador Flávio chegou a pedir à sra. que retirasse a assinatura? 

Chegou.

Como foi esta conversa? 

Não vou te contar detalhes.

Por quê?

Porque é melhor não. Mas pediu. Davi Alcolumbre pediu também. Tenho recebido alguns recados até mais, digamos, chatos, tipo ‘cuidado, você tem um processo, tira a assinatura’. Não vou tirar não. Prefiro perder o processo.

Esta relação entre seu processo e a retirada de assinatura foi feita pelo senador Flávio ou pelo presidente Davi? 

Não. O que eles argumentam é que uma CPI vai trazer instabilidade para o Brasil porque vai mexer com as instituições, com a integridade delas etc. Não acredito nisso.

Quem fez esta condicionante então? 

Pessoas do partido. É gente do partido que veio com esta conversa ‘olha, você tem que se aproximar do pessoal porque aí vão te ajudar’. Deste pessoal que está alvo de CPI.

Mas não o Flávio? 

Não foi o Flávio.

O Flávio falou como colega da sra. ou como filho do presidente da República? 

Não dá para dissociar. Ele estava um pouco chateado. Alguém disse para ele que nós tínhamos assinado uma CPI que iria prejudicar ele e ele falou comigo meio chateado, num tom meio estranho. Eu me recuso a ouvir grito, então, desliguei o telefone.

Ele chegou a gritar com a sra.? 

A pessoa fala exaltada, né? E era uma coisa que não era verdade, portanto não dei atenção.

Qual o sentimento da sra. diante disso? 

Não sei se compreendo muito bem por que razão ele teria feito isso, mas acho que, talvez, mais decepcionada. Ele é uma pessoa tão agradável, tão simpática.

Depois disso houve algum contato? 

Nenhum contato.

A sra. acha que teve anuência do presidente? 

Acho que não.

O que leva a sra. a crer que não? 

Não tenho nenhum elemento para achar que sim.

Algum recado chegou depois que a sra. deixou claro que não retiraria a assinatura? 

Todo dia recebo um. Acho que o recado da Raquel Dodge foi o mais claro.

Qual a relação que a sra. estabelece? 

Em tese a procuradora-geral não teria motivos para ajudar o presidente, já que ela foi preterida na escolha para a PGR. A não ser que este parecer já estivesse pronto bem antes, quando ainda havia alguma esperança e, depois, acabou indo por descuido de alguém. Já li também uma outra posição em que alguém diz que é vingança porque ela teria sido preterida, então ela resolveu perseguir os bolsonaristas.

O PSL está sendo investigado por candidaturas de laranjas. A sra. ouviu falar sobre isso durante a disputa? 

Lá [em MT], se teve, foi quieto. É muito bonito você dizer ‘tem que ter cota para a mulher porque a mulher tem que participar da política’. Ela tem se ela quiser. Obrigar a ter cota é pedir para ter laranja. Até porque mulher não gosta de política. Não é uma tradição nossa ter mulheres na política. As pessoas dizem ‘não, política é uma coisa muito suja para mulher, deixa homem’. Quase apanhei das mulheres aqui do Senado por causa disso. Não acredito em cota para preto, para homossexual. As pessoas têm que ser tratadas iguais. Cota, ela que afasta em vez de integrar.

A sra. não concorda que é uma maneira de reparação a grupos que sempre foram preteridos? 

A maneira de estabelecer uma reparação é tratando igual, é dando escola boa para preto, para pobre, para todo mundo. Quer ver uma coisa que acho que separa? Feminicídio. Toda mulher que morre é feminicídio. Não. Não pode ser. Por que tem ter um crime específico de feminicídio? É um homicídio como qualquer outro. Agora, matar mulher tem que ser diferente? Claro que a violência doméstica é grande. Mas por que não ataca a causa, então? Faz campanha educativa, pega esses machos e ‘para de ser machista’.

Fonte: Gazeta Digital

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