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Contrato de R$ 100 milhões fez empresa desistir de licitação da Arena

Marcus Vaillant

Em sua proposta de delação encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso, o ex-deputado José Geraldo Riva dá detalhes de como ocorreram os pagamentos de propina para as obras da Copa do Mundo de 2014. No documento, ao qual A Gazeta teve acesso, Riva cita que uma empresa deixou de disputar a licitação da Arena Pantanal e, em troca, recebeu um contrato de R$ 100 milhões.

Apesar de ter detalhado as informações, o documento obtido pela reportagem tem, no lugar de nome daqueles que virtualmente serão investigados, os caracteres X, para impedir a identificação. No caso da empresa, o ex-deputado conta que foi procurado por outro parlamentar estadual, que disse ter o compromisso com uma construtora, e que precisaria que ela vencesse a licitação na Arena Pantanal.

Para que o parlamentar fosse atendido, Riva chamou um concorrente da construtora, que também participaria da licitação, e o colocou para conversar com o deputado. Na ocasião, o empresário aceitou que, com a desistência da participação no certame, ele ganhasse uma obra valiosa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso ou no Estado.

“Em que pese o Colaborador desconhecer o acerto realizado entre as partes, teve conhecimento que a empresa recebeu mais de R$100 milhões do governo do Estado”, afirmou o ex-deputado na sua proposta de delação premiada.

VLT

A exemplo de Silval Barbosa, que também citou propina na construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Riva conta que o ex-governador organizou uma reunião no Palácio Paiaguás informando que Riva teria participação no esquema da construção. Os pagamentos foram feitos de acordo com as medições.

“Salientando que não saberia o que iria conseguir na compra dos carros, mas o certo era que teriam uma participação e no momento certo o colaborador seria chamado para participar”, afirma trecho da proposta. Mais tarde, Silval informou o percentual, que não é revelado no documento.

Em 2014, Silval informou a Riva que ainda não tinha recebido toda a propina e que estava com dificuldades para receber o restante porque o Consórcio responsável estava exigindo documentação. Uma forma que o então governador encontrou foi fazer com que a empresa Multimetal fosse contratada. As obras de estrutura metálica ficavam cerca R$ 10 milhões, mas o consórcio diminuiu o preço.

O cronograma do VLT, segundo Riva, começa em 2008 quando o ex-deputado passou a defender a troca do modal BRT. Na época, a avaliação era de seria um sistema mais ecológico e mais “viável tecnicamente” em relação ao VLT.

Antes mesmo de uma viagem para Portugal, para “apresentar” o modal ao governador, foi realizada uma reunião na cidade de São Paulo em que Barbosa disse ter meios de obter fundos para a linha de crédito para a construção, uma vez que o financiamento já havia sido aprovado na ALMT. A grande discussão, a partir daí, seria de como alterar o objeto do financiamento ainda em tramitação. Para isso, Barbosa contou com o apoio de parlamentares com trânsito em Brasília.

“Já no Brasil, o colaborador voltou a falar com Silval Barbosa e notou a preocupação dele com os próximos passos, especialmente conseguir junto ao governo federal a mudança do modal BRT para VLT, já que havia processo adiantado de financiamento do primeiro, mas anunciou que faria plantão em Brasília para isso. Passados alguns dias, Silval Barbosa entrou em contato de Brasília dizendo que conseguiu a mudança do BRT para VLT”, diz o documento.

Fonte: Gazeta Digital

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