Jornal Página do Estado

Empresário cita Paulo Prado, Ságuas e deputado federal em esquema na Ararath

Arquivo/Montagem

O empresário Ulisses Vigano Júnior, sócio da construtora Consnop, disse em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) de Mato Grosso, que teria integrado o esquema de lavagem de dinheiro, através de operações ilícitas de empréstimos bancários envolvendo empresas, bancos e o governo do Estado, a pedido do ex-deputado Dilceu Dal’Bosco, o ex-deputado federal Ságuas Moraes (PT) e o atual deputado federal Juarez Costa (MDB).

A informação consta na denúncia oferecida pelo MPF contra o empresário, o ex-secretário Eder Moraes, o ex-superintendente do BicBanco, Luis Carlos Cuzziol, e mais 11 pessoas. O empresário ainda cita o ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado, como um dos fornecedores das ‘cartas’ que autorizariam os empréstimos junto ao Bic Banco.

“Eu tinha uma empresa em Sinop que não fazia obras públicas, e aí fui procurado pelo deputado Dilceu Dal Bosco e pelo Junior Leite (…) e me disseram o seguinte, você quer fazer obra no governo, a condição é esta você pega, vai lá no BIC, abre um cadastro lá, troca uma carta que nós garantimos obras para vocês. Eu fui lá, me apresentei com o Luis, na época era Superintendente, eles pegaram uma carta, que essa carta eu não tinha nem um contrato com o Governo, me deram uma carta assinada pelo Vilceu, o Bic Banco trocou e eu repassei o dinheiro para eles, e ai começou as obras (…) quando eu precisava para o uso da empresa, eu fazia desconto com o uso da empresa, inclusive tenho cartas lá até do Dr. Prado, que é procurador do Ministério Público, todos os Órgão faziam este tipo de Carta, só que as cartas que eram para uso político (…) todas as empresas pegavam cartas frias, levavam a carta lá no BIC, pegavam o dinheiro, no meu caso eu transferia a maior parte pelo Brasil (…) sacava e era distribuído (…) era assim a condição para pegar a obra no Governo Maggi e no Governo do Silval (…)”, diz trecho do depoimento do empresário.

Segundo o empresário, Ságuas Moraes, que na época era secretário de Estado de Educação (Seduc), o ex-secretário de de Infraestrutura (Sinfra), Vilceu Marchetti e seu adjunto  Ezequiel de Jesus de Oliveira Lara, também lhe pediram para realizar os empréstimos junto ao Bic Banco. “(…) para deputados que precisavam de dinheiro lá para campanhas, eles chegavam lá com a carta, o Dirceu D’al Bosco, o ex prefeito de SINOP Juarez Costa, para vários deputados foi feito a pedido do Governo, o Governador Silval Barbosa na época era vice do Blairo (…) tinha secretarias que eu pegava cartas que eu nem tinha contrato com o Governo. […]”, diz outro trecho do seu depoimento.

Para o Ministério Público, os direitos creditórios que, em tese, garantiam o pagamento dos empréstimos não eram íntegros e não podiam ser corroborados com documentos oficiais, tais como cópias de contratos, notas fiscais ou medições das obras executadas, a maneira encontrada pelos denunciados para prosseguir com os contratos, sem levantar suspeitas sobre suas fraudes, foi a expedição ofícios pelo Órgão Estadual que encabeçaria a operação, no caso a Secretaria de Infra Estrutura de Mato Grosso, sem registrá-lo no sistema oficial do Governo do Estado.

Tais empréstimos cedidos à empresa Consnop, segundo a denúncia, era coordenados pelo ex-secretário de Estado, Eder Moraes, e tinha como garantia créditos fictícios que a empresa possuía junto ao governo do Estado de Mato Grosso.

Conforme informações, na delação os valores movimentados através dos empréstimos era determinados por Eder Moraes, então secretário de Fazenda, para financiamento das campanhas políticas de Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa.

A denúncia é oriunda da Operação Ararath que investiga crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro em Mato Grosso, para financiamento de campanhas políticas e enriquecimento ilícito.

Outro lado

Procurado pelo Gazeta Digital, a assessoria do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) informou que iria entrar em contato com o procurador Paulo Prado sobre o assunto. Porém, até a publicação da reportagem, ainda não se pronunciaram.

Já os ex-deputados Ságuas Moraes e Dilceu Dal’Bosco, e o atual deputado federal Juarez Costa (DEM) não atenderam e nem retornaram as nossas ligações. O espaço continua aberto para que todos possam se manifestarem.

Fonte: Gazeta Digital

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